Amando um Paki Man... parte VI

domingo, 2 de janeiro de 2011
Diretamente de Cabo frio, estou aqui sem sono depois de ter dormido umas dez horas de tao cansada  ....... rsrsrsrs

A intenção tinha sido ficar 5 dias na aldeia, mas acabei por ficar 15. Fomos para lá com a passagem de avião de ida, mas sem volta. A volta seria marcada quando estivesse na aldeia. Mas aconteceu que os voos estavam todos cheios por causa do eid que houve em Novembro, por isso babo (pai dele), que tinha um amigo responsável que trabalhava na PIA em Gilgit, ia dar-nos um jeitinho e as coisas iriam ficar aparentemente resolvidas. Eu tinha ficado semi-preocupada, pois os voos estavam mesmo todos cheíssimos até às 3 semanas seguintes...
O tal amigo não conseguiu voo no dia pretendido mas conseguiu vaga 2 dias depois. Tudo ok! 2 dias depois não tinha problema.
Chega os 2 dias depois, meu pak acorda pela manhã, sai lá pra fora e vê o céu nublado. Fica preocupado. Quando é que céu nublado é motivo suficiente pro avião não voar?? Não liguei, com malas e despedidas feitas fomos para o aeroporto. Eu particularmente toda contente pois finalmente ia pra Islamabad gozar uns belos últimos dias com meu amor longe de tanto povo. Fizemos check-in, e esperamos pelo embarque que acontece quando o aviãozinho chega de Islamabad. Só existe 2 voos por dia a ir para a capital e são logo pela manhã.
Estávamos lá à espera e dizem-nos que o avião voltou pra trás, os voos estavam cancelados. Porquê? Porque o céu estava nublado! A região é montanhosa e o tempo tem de estar limpo para se ver as montanhas que são muito altas. Na altura nada daquilo fazia sentido pra mim, pois as nuvens nunca foram problema para um avião, só mais tarde entendi que tinham razão.
Voltamos pra casa, e de novo babo liga ao amigo pra remarcar a passagem pois tínhamos perdido o lugar no avião. Amigo remarca, dia seguinte tentamos de novo, mas estava nublado again... No outro dia seguinte nova tentativa, o mesmo problema.... E assim se andou por 4dias, sempre com o tempo nublado. Eu estava a começar a ficar muito preocupada, faltavam 4 dias para o meu voo de volta pra Portugal e os malditos voos não funcionavam.
Mas havia a solução de ir por ónibus. Não pensamos nisso mais cedo pois todos diziam que era uma viagem tipo 'fim do mundo'... 24horas de viagem num ónibus lotado de gente em estradas tortuosas e perigosas não é pra qualquer um. Por isso evitei ao máximo essa opção.
A 3 dias do meu voo de volta pro meu país, o diabo do voo foi cancelado OUTRA VEZ por causa das nuvens... Desespero total!!!! Mas o pior ainda estava pra vir.......
Decidi que teríamos de ir no ónibus!!! Queria lá saber se a viagem era ruim!!! Meu desespero era chegar a Islamabad a tempo e apanhar meu voo de volta. Dias de descanso tão desejados com meu pak em Islamabad antes de ir embora??? Eu já não queria saber disso!! O desespero era sair dali, já nem pensava em mais nada. Estávamos a lutar contra o tempo!!! E tinhamos de contar com as 24horas da viagem.
Chegamos ao terminal dos ónibus, compramos bilhete, a irmã dele amorosa fez-nos comida pra viagem. Chega a hora do embarque e lá vou eu desesperada, pensando se é desta que saio daquela aldeia!!! Quando entro naquele autocarro falta-me o ar.....o ónibus estava quente como o diabo!!!! Começo a sentir-me mal, mas eu sempre a tentar manter a posse (senão todos iam dizer: 'eu avisei-te que não devias ir de ónibus'). Peço pra ir lá fora e dizem-me que não. Mulher não é bem vista lá fora pois tinha muito homem rondando a praçeta dos ónibus... Ahhhh doida desesperada, fui lá pra fora!!! Que se lixassem os outros!!! Pensava como ia sobreviver num ónibus lotado de gente e quente como o inferno......Sem falar nas estradas........ Ahhhh desespero total!!!! Babo viu que eu não estava bem, pediu para que eu fosse nos primeiros lugares da frente pois lá não é tão quente. Lá conseguimos lugares discretos graças a babo sempre incansável com o meu bem-estar.
A viagem começa...a estrada todaaaaa esburacada, o ónibus sempre aos saltos, de tempos a tempos a estrada era estreita e tinha precipício ao lado. De novo rezei para que o condutor abrisse bem o olho e não desse passo em falso. Era morte certa. Tinha medo que ele adormecesse ao volante pois essas viagens são tão cansativas, e pedi muito a Deus que abençoasse aquele homem.
Eu ia meio contente, pois finalmente ia a caminho de Islamabad. Passados uns tempos, dá-me vontade de fazer xixi. Digo ao meu amor pra falar com o condutor pra ele parar e eu fazer a necessidade. Condutor diz que os banheiros estavam a 2horas de viagem... Uhhhhh começou o suplício........ 2horas de viagem??? Eu apertada daquela maneira......Comecei a pensar que tudo é psicológico e tentei me distrair com a musica do mp3 ou tentar dormir. Impossível dormir naqueles caminhos aos altos e baixos que ainda deixavam minha bexiga mais cheia.
De repente..... vem a notícia de alguém que a estrada mais à frente estava bloqueada.... Houve queda de pedras das montanhas que bloqueou o caminho. O ónibus continuou o percurso até ao bloqueio, até que lá chegou e parou. A estrada estava de fato intransitável, já tínhamos feito 7 das 24 horas da viagem.
Os homens saem do ónibus pra ver o sucedido (mulheres sempre sentadas, claro), tinha lá já vários carros parados... Estávamos precisamente no meio das montanhas, ou melhor, no meio do NADA!!! Sem luz, sem rede de celular, sem água e sem banheiros!!!! Apenas montanha dum lado e precipício do outro. Estavam um montão de homens lá fora a ver o sucedido, homens dentro do ónibus também e aqui a madame com vontade de fazer XIXI!!!! DESESPERO!!!!! Ali levam anos pra resolver um assunto, por isso aquele desbloquear das pedras iria levar a noite inteira... Ele estava preocupado pois sabia como eu estava aflita, mas logo disse que não era possível fazer nada...... Nada??? Como nada??? Ameacei fazer ali mesmo nas calças, depois ele não se queixasse do cheiro e que as outras pessoas olhassem.
Ele então pediu para que eu esperasse pela noite. Já estava a escurecer, só precisava esperar mais um pouco pela escuridão total. Quando isso aconteceu passado 1hora de TORTURA, fui lá fora mais ele... e andamos pela estrada até uma parte mesmo escura sem as luzes dos faróis dos carros e sem ninguém. Imaginem se alguém nos apanhasse!!! Medooo! Vinha gente a caminho, há sempre gente lá por todo o lado. Mas fiz minha necessidade ali mesmo bem depressa. Senti-me aliviada e mega feliz!!! Fiquei leve leve novamente. Mas boa disposição durou pouco tempo. A estrada continuava bloqueada e ainda iria continuar assim por uns bons tempos.

Amando um Paki man .... parte V

terça-feira, 28 de dezembro de 2010
O primeiro dia do casamento foi passado na casa do tio. Foi o dia do Mehndi. A família enfeitou toda a casa, cheguei lá pela tarde e comecei a arranjar-me. Vesti o vestido amarelo com a dupatta rica em detalhes, puseram-me as jóias, fui maquiada e fizeram-me o penteado. Impossível não ficar bonita com todos aqueles arranjos... ;) Os rapazes também estavam noutra parte da casa a preparar o noivo.

Foi uma festa muito linda!!! :) Depois de pronta, a noiva é a primeira a se apresentar. Fui debaixo de um tecido que as primas seguravam até à sala onde já estavam todos os convidados. Acho que ainda não tinha bem a noção que EU era a noiva, que aquilo era tudo pra mim, que todo aquele mundo estava ali pra me ver... Foi de facto muita coisa pra minha cabeça e eu estava sem ter noção da dimensão das coisas...por isso na altura fui encarando todas as coisas de forma normal.
Sentei-me num sofá arranjado propositadamente pra firangi, senão seria no chão com almofadas. A sala estava toda decorada, o mehndi estava em pratos muito bonitos, os doces também muito bem feitos. Depois foi a vez do noivo se apresentar. O meu amor lindooo veio da mesma forma que eu e, por fim, sentou-se ao meu lado.
Deu-se início à cerimónia, os convidados vinham até nós, ponham-nos dinheiro no nosso colo, depois ponham-nos mehndi nas mãos, e por fim ponham-nos doces na boca. Ahhh comi tantooo doce e recebi tanto dinheiro!!! hheeh No fim da festa meu amor dançou pra mim!! Maravilhoso!!.. Eu tinha que fazer uns gestos com as mãos enquanto ele dançava, pois significava dar prosperidade para o futuro. Adorei =))
Depois dos rapazes saíram do quarto, enfeitaram as minhas mãos com o maravilhoso mehndi e foi a vez das meninas dançarem. Esqueçam aquela ideia das meninas paquistanesas, muçulmanas, donas de casa!! Elas tiram as dupattas e o excesso de roupa de cima delas e dançaram bemmm mais que muita menina daqui, mais do que eu por exemplo. E não são aquelas danças tímidas não...eram danças bem sensuais.....
Já pela noite dentro, voltamos pra casa. Estava realmente muito feliz, a festa tinha sido mesmo bonita =)

No dia seguinte, depois do pequeno-almoço, arranjei-me outra vez. Vesti o vestido vermelho com a respectiva dupatta. O vestido é impressionante...Fiquei mesmo maravilhosa, acho que mais bonita do que naquele dia, não poderia ficar... Aquelas roupas são mesmo muito lindas.
Durante esse dia recebi visitas (outra vez fui figura de decoração), recebi presentes, e depois tivemos um jantar com os convidados que eram praticamente todos família. O dia foi também muito bonito =)

Como já disse, fiquei pela aldeia 2 semanas. A vida por lá é mais ou menos como nos tempos passados com a vantagem de já ter tv, máquina de lavar roupa, net (muito lenta) e coisas assim. Água e luz desaparecem muitas vezes.
Conheci muita gente interessante e muito moderna para os padrões locais, como uma prima dele que estava no karatê, o xaxa não queria que ela fosse, mas xaxi disse que sim e ela foi. Conheci uma menina que me pediu pra arranjar um britânico pra casar e a levar pra fora do país. Conheci duas meninas que não queriam de jeito nenhum casar tão cedo sem antes se realizarem nos seus objectivos profissionais.
Os dias iam passando e eu criei independência. Cedo perceberam que eu necessitava do meu espaço, mas também dava desculpa de fina e dizia que ia descansar e dormir. Mentira! Era só pra ficar sozinha.
Fui também a um outro casamento mesmo tradicional. Era irmã de um grande amigo do meu pak. A noiva linda como sempre, chorou na altura de sair da casa dos pais. É normal por lá!! Super interessante isso!! Coitada, não devia estar muito feliz. Mas acho que mesmo que não tenham vontade, elas fingem chorar ehhe
Não se vê naquela região estrangeiros, ao contrário de Islamabad. Os estrangeiros que por lá passam estão só de passagem e vêm em aventura para fazer trekking ou alpinismo. Apenas conheci no casamento que fui, uma alemã que trabalhava numa ONG. Gostei muito de a conhecer e de perceber como quem trabalha numa ONG tem de dedicar uma vida a esse trabalho. Passo a explicar: além de se dedicarem a ajudarem os outros, adquirirem os hábitos locais, afastarem-se da sua família/amigos e a porem de lado as mordomias existentes no seu país, essas pessoas tem de aprender as línguas locais, além do Urdu, para poderem ir de encontro às necessidades das populações, pois muitas vezes as pessoas necessitadas apenas sabem a língua local. No norte do Paquistão existem 3 línguas locais... Ou seja, ainda tem de estudar e se dedicar muito mais do que imaginava!!! Sem palavras... É uma vida de plena dedicação. Ela disse que ali na aldeia e cidade de Gilgit, tudo era tranquilo e mesmo os direitos da mulheres eram praticados, mas que naturalmente havia regiões do Paquistão que ainda apresentam muitos problemas, a nível dos direitos das mulheres, pobreza, terrorismo, etc, principalmente nas zonas próximas da fronteira com o Afeganistão.
Ali naquela zona grande parte dos muçulmanos são ismaelitas, considerado o ramo mais soft do Islão. Eles têm o seu líder espiritual, que ainda está vivo (vive em Paris), e acreditam que ele é descendente da família de Maomé.
Mas dos dias que estive em Gilgit ocorreram assassinatos, xiitas contra sunitas, ou não fosse o Paquistão claro!! Por isso vale sempre prevenir e ter sempre cuidado a andar por lá.

oieeeeeeeeeee

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Oie gente..... que saudades de escrever.....


Mesmo depois de dez horas em pé, cansada por demais...... hoje me deu vontade de escrever.

Algumas coisas se modificaram nesses ultimos meses que não voltei aqui para relatar.
Estou trabalhando novamente com vendas... :( Mesmo jurando que não trabalharia com isso, não tive outra opção, cedi e estou já a quase tres meses trabalhando na HERING aqui de minha cidade, e vou dizer..... como está vendendo -Graças a Deus-

No decorrer dos acontecimentos passados fizeram-me voltar à minha vida e optar pelo que será melhor pra mim.
Sendo assim voltei á um sonho que eu tinha a muito tempo de estudar na França. Voltada para isso comecei a procurar agencias para me informar sobre.

Então já informada sobre, resolvi que meu próximo destino será Lyon, para ficar no mínimo um ano, possivelmente será prorrogado para dois.

Vou trabalhar de Au Pair..... mesmo sendo de babá não vou deixar de estar trabalhando com o que mais gosto "CRIANÇAS", na minha área tbm.

Depois do último ocorrido, dos dias de nervoso e as notícias vindo de tempos e tempos com a interação total com meu "cunhadinho"....... Eis que a ausência acaba....... e tudo volta a ser como era antes..... pra ele né.... pra mim não.....

DEcidi... não vou falar nda sobre o que vai acontecer ano que vem..... quero ver se ele se manifesta sem pressão.........se alguma coisa muda........
Notei uma mudança nele depois do Hajj....... não sei até quando isso vai durar, ou o que irá acontecer...
Já vi isso acontecer milhões de vezes.... essas mudanças repentinas .... aff.....

 Só pra vcs terem uma noção do que anda acontecendo....

[14/12/2010 19:58:13] Jan: i do feel sorry for you all the time
[14/12/2010 19:58:18] Jan:  i regret my self
[14/12/2010 19:58:55] Tha: y?
[14/12/2010 19:59:25] Jan: that i do not give you time
[14/12/2010 19:59:28] Jan: and i do not come to you
[14/12/2010 20:00:35] Tha: Vida.. everythings....happen the way it has to happen
[14/12/2010 20:00:46] Jan: yes
[14/12/2010 20:00:47] Jan: right
[14/12/2010 20:00:53] Tha: ;)
[14/12/2010 20:01:10] Tha: u have your time ...
[14/12/2010 20:01:18] Jan: honey
[14/12/2010 20:01:20] Jan: i know
[14/12/2010 20:01:21] Jan: i love u
[14/12/2010 20:01:33] Tha: i know
[14/12/2010 20:01:35] Tha: :P
[14/12/2010 20:02:30] Tha: all things that happen in due time
[14/12/2010 20:02:36] Tha: I do not worry about that anymore....
[14/12/2010 20:03:01] Jan: i got it
[14/12/2010 20:04:23] Tha: but
[14/12/2010 20:04:29] Tha: I love when you have time for me
[14/12/2010 20:05:26] Tha: love....
[14/12/2010 20:05:40] Jan: i knw
[14/12/2010 20:05:42] Jan: i love
[14/12/2010 20:05:42] Jan: u
[14/12/2010 20:05:43] Jan: too

Não vou me derreter mais com nda, mesmo que o coração peça, clame, implore..... já decidi o que acontecerá..... e somente uma coisa mudará meus planos..... uma guinada brusca em nossa relação....

JÁ DECIDI--------------> EU DEPOIS EU, E EU NOVAMENTE ;)


Mais com todas as coisas acontecendo em minha vida, ando sem tempo até pra ficar viajando na maionese como ficava a um tempo atras... então minha mente tem tido ocupações até demais acho que agora estou me sentindo a Thaís novamente.....


Obs..... ele continua mais lindo do que nuncaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa aff.... passo mal.....

AMO - TE

Amando um Paki man .... parte IV

sábado, 18 de dezembro de 2010
Agora relatando a minha história, vejo como aquelas pessoas na aldeia foram importantes para mim e como sinto saudades de todos eles.
O início da minha aventura estava apenas a começar.
Durante a minha estadia, a família de meu pak fez os possíveis para que eu me sentisse bem e feliz. Tentaram mudar alguns dos seus hábitos, só para que eu me sentisse mais confortável. Logo pensei que aqui ninguém estaria disposto a isso para que meu pak se sentisse 'mais em casa'. No entanto, a vida na aldeia não é fácil.

O primeiro dia foi de fato ruim...Muita gente vindo para me ver, pra todo o lado que eu ia vinha gente atrás. Até pra ir ao banheiro, sugeriram que tivesse companhia ehehe
No fim do dia disse ao meu amor que tinha gostado de conhecer toda sua família masssss que era demais...muita gente pra minha cabeça!!
Mesmo ele diz que também já não está habituado à vida da aldeia pois vive há muitos anos em Islamabad, assim costuma ir uma vez por ano visitar a família.

Vou enumerar (não por ordem) os principais problemas que senti lá, pra tornar mais fácil o meu texto:

1ºproblema: sentar no chão. Minhas pernas não foram treinadas pra isso. Eles sentam no chão pra tudo. Levantar e baixar é grande exercício pra mim. Minhas pernas ficavam dormentes todo o tempo. Acho que minha celulite reduziu depois de ter estado na aldeia, fiquei muito contente com isso. Ah e claro, emagreci!!!! Ao menos tirei alguma vantagem!!! =D Mas na última semana eles arranjaram uma cadeira na sala pra eu sentar e o pequeno almoço eu tomava ali com uma mesa improvisada. Depois ia pro chão pra estar como eles.

2ºproblema: comida. Não gosto de nenhuma comida que eles fazem, nem do arroz que eu aqui gosto tanto. Mas eles fizeram esparguete como eu gosto, galinha, cabra e vaca. Não ponham pimenta em nada. Naquela região, eles bebem chá com sal...coisa horrível!! Eu só bebia água e leite.
Todos os dias eu e meu amor tínhamos convites para almoçar e/ou jantar em casa de alguém. O único pedido era não ter pimenta na comida. Nesses almoços e jantares, fomos muito bem servidos, custava-me ver como eles se esforçavam para nos receber tão bem :) Foram impecáveis sempre.

3ºproblema: ver como as mulheres trabalham e os homens não fazem nada. Sem palavras!!! As mulheres fazem tudo..........
Eu claro nunca fiz nada, estava no meu estatuto de noiva/convidada. Eu só sentava e via o jeito. Nem eu tenho a força e determinação daquelas mulheres para as lides domésticas, meu amor já estava avisado quanto a isso. Ele chega cá e vai ajudar também!!!

4ºproblema: frio. De fato, existe uma grande diferença de temperatura em relação a Islamabad. O norte é, sem dúvida, ge-la-do!!! principalmente durante a noite. É uma região montanhosa onde se encontram as montanhas mais altas do mundo, por isso não admira.
Tínhamos aquecedor a gás no quarto, e esperávamos um pouco para que o quarto ficasse habitável sem tanto frio.

5ºproblema: luz. Andávamos à luz da lua ou com uma lanterna. Apesar das dificuldades de não ter os confortos todos a que estou habituada, ali o quarto se tornava aconchegante à luz da lanterna, na companhia do meu pak ;)

6ºproblema: água. Os banhos eram tomados à moda antiga, com baldes e às partes ehe Nada confortável e sempre apanhando um frio tremendo.

7ºproblema: ter companhia pra todo o lado. Como referi, até pra ir ao banheiro eles me queriam acompanhar, pois poderia surgir alguma dificuldade. Quando vim à net mandar mails à minha mãe também tive assistência... Pelo o amor de Deus, preciso privacidade não??

No segundo dia as coisas se tornaram mais fáceis, foi dia de planear o meu casamento, fazer provas dos vestidos de noiva, jóias, sapatos, essas coisas... As meninas me acompanharam sempre nessas etapas e foram grande ajuda, pois naturalmente percebem mais do que eu :)
O casamento tradicional dura 3dias, o meu durou 2 porque tivemos de adaptar paramode firangi, minha família não estava lá, portanto não poderia ter todas as etapas como é tradição =)

Como ler os acontecimentos mexe comigo...

Só sei que todas as histórias dariam bons romances.......

Amando um Paki man .... parte III

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Oie meninasssss... eu eu por aqui novamente com a continuação..... rsrs sei que é ruim ficar esperando..... hihih

Então vamos ao que interessa....

A decisão de casar quando lá chegasse foi feita a partir de cá. Isto porque não quis alongar esse relacionamento pela net, quero meu pak rápido comigo no meu país a viver um verdadeiro relacionamento, porque a vida são dois dias, sempre fui decidida e procuro ter uma vida realizada. Se foi precipitado ou não, não sei e nem me interessa, o que vale é que de momento estou muito feliz e nada arrependida. Cada passo que dou, apesar da rapidez é muito bem pensado, e tenho a vida e os nossos planos muito bem organizados. Obviamente em tudo na vida é preciso sorte...porque pra dar errado pode acontecer em todo o lado, mesmo nos relacionamentos de cá, que muito sinceramente na minha opinião são uma desgraça, e infelizmente ando rodeada de muitoosss divórcios, relacionamentos do tipo fast food, etc... E no final acabamos por ser o produto daquilo que nos rodeia. Agora acho que vocês entendem um pouco mais do que vai na minha cabeça e o porquê das minhas decisões.
Por outro lado, estar lá em caso amoroso sem ser casado não é bem visto pela família e amigos.


Casei-me 3 dias depois da minha chegada. Este foi o casamento legal, chamado Nikah. A cerimónia teve lugar no hotel onde estávamos alojados.
Nesse dia eu e meu amor nos preparamos no quarto, como a cerimónia seria coisa simples, meu vestido foi um daqueles que eu comprei nos dias anteriores. Escolhi o mais bonito, vesti-o, maquiei-me e esperamos pelos convidados. Entretanto meu pak providenciou mais cadeiras, alguns petiscos e bebidas. Começaram a chegar as meninas. Finalmente comecei a conhecer mulheres :) Elas eram vizinhas do meu amor e irmãs dos seus amigos. Enquanto esperávamos pelo molvi e advogado, nós meninas ficamos no quarto a conversar e os rapazes ficaram lá fora.

Nesse casamento, recebi alguns presentes (colares e pulseiras) e flores (rosas vermelhas). Ao fim de um tempo, o molvi e o advogado chegaram. Deram então início à cerimónia. Já não me lembro bem da ordem das coisas, mas acho que primeiro ele recitou algo no Corão, depois fez umas perguntas ao meu pak e depois a mim. Eu só tinha que dizer 'Yes', não percebia nada!! eheh Assinamos os papéis, e depois tivemos que recitar um pouco do Corão em árabe claro, que outra vez não percebi nada!!! Fiz figura um pouco triste ehehe mas dei o meu melhor! Por fim, ele pôs-me um cordão de flores ao pescoço e eu a ele. Depois foi a altura da sessão das fotos.

No fim de tudo, tivemos um jantar no restaurante chinês que fica mesmo em baixo do hotel. O restaurante é bom, também ao nível dos nossos. Adoro comida chinesa, estava deliciosa, por isso ficou tudo aprovado.

Após o dia do nosso casamento, ficamos mais uns 2dias em Islamabad. Depois foi tempo de viajar até à vila dele no norte do Paquistão, conhecer os pais, restante família, e celebrar o casamento tradicional.


Partimos de manhã para a cidade de Gilgit no norte do país na PIA Airlines. Os aviões eram daqueles mais pequenos, o voo correu bem.
Chegamos lá e tínhamos uns familiares à espera. Já estava avisada que teria gente nos esperando, só não esperava a grande recepção que nos aguardava à porta de casa...
Fomos de carro de Gilgit para a aldeia dele. Encontrei estradas tortuosas, mercados apinhados de homens, mais à frente as estradas eram megas perigosas, só rezava para que o condutor (um dos primos) tivesse de olho bem aberto e não se distrair com o carro!! Pra chegar à vila tivemos que atravessar uma ponte que balançava, à primeira vista parecia ser só de madeira, mas naturalmente teria de haver aço pra aguentar a passagem dos carros, que tinham de ir praticamente um de cada vez, pois a estrutura era fraca. Outra vez achei aquilo mega perigoso, rezando pra que a ponte não caísse!!!! Só pensava que minha vida estava completamente nas mãos de Deus!!!

Cheguei à aldeia dele através de caminhos de terra tortuosos que dão náuseas. Mal chegamos, a família superrrrrrr extensa grande e sei lá mais o quê! à nossa espera. Saímos do carro, puseram cordão de flores naturais no nosso pescoço, os portões da casa abrem-se e vejo montessssss de crianças, parecia um infantário!!! Mas não...eram família. Não sou nada chegada a crianças!!! Só pensava 'Ah isso não vai correr bem'!! Mal entramos pelo portão tivemos que cortar uma fita, tal como acontece nas inaugurações, e atiraram-nos pétalas de flores à nossa passagem. Tiraram fotos, e depois a api (avó dele), o membro mais velho da família muitoooo respeitado por lá!! disse uma reza e pôs farinha nos nossos ombros antes de entrarmos em casa e servirem-nos o chá e o almoço. Conheci mamaji (mãe dele), babo (pai dele), as irmãs, alguns chachas (tios), algumas chachis (tias) e alguns baijans (primos) e primas na minha chegada. Estavam todos muito felizes e receberam-me como uma rainha. Eu de novo extremamente atrapalhada e em mode off... só olhava pra tudo aquilo e sorria, pensando como iria sobreviver nos próximos dias...
A aldeia estava a ter problemas com condutas (como é normal por lá), e por isso não havia nem água nem luz por algumas semanas. Tinha voltado ao tempo da minha trisavó.

Antes de partirmos, ainda em Islamabad, eu pergunto ao meu amor o que vestir. Ele disse que jeans era ok se eu quissesse, pois estava mais habituada. Eu tonta indo pela cabeça dele fui de jeans. Chegando lá, obviamente iria viver como eles, não fazia sentido estar de jeans. Lá as mulheres locais não podem vestir isso.
Depois do almoço, troquei de roupa pois não me estava sentindo bem com aquilo!! Vocês nem imaginam como avó dele ficou contente quando me viu de roupa paquistanesa!!! ehehe No fim dei sermão ao meu amor pois ele já deveria saber como eu deveria vestir!! grgr

Durante a tarde fui figura decorativa, recebendo convidados que vinham pra me ver...e eu só sorria, de vez em quando falava com algum que falava inglês. Fiquei aborrecida à brava... E outro problema, é que meu pak de vez quando tinha de ir pra outro lugar pra falar com os familiares homens, ou seja, afastava-se de mim, e eu mais aborrecida ficava. Tempos a tempos eles perguntavam se eu estava bem, se eu queria ou precisava de algo. Sim!!! Eu precisava de sair dali e ir pra um canto sozinha longe de tanta gente e tanta criança.

Pensei que queria casar rápido e ir bem rápido embora, pois ali não era lugar pra mim. Deus me perdoe!!! Não sou ingrata, eles me receberam e trataram super bem, só que eu não estava no meu meio...
Mas isso era o que eu pensava!!!! Fiquei lá 2 semanas ehehhe pra mal dos meus pecados :P

Nossa..... como eu fico imaginando..... se viesse acontecer..... eu na vila de jan.... com todas aquelas crianças... e todos os idosos.. ao meu redor..... acho que n ficaria mais feliz......

Tantas coisas por essa mente insana passam ...... mais como na vida real nda é tão perfeito.... Hoje temos a Mia.... e tantas outras como exemplo... de que devemos sim... sonhar, almejar, desejar... mas sempre com os pés bem fincados no chão... levando em consideração os prós e os contras de viver um relação inter-cultural e o que vem junto com o amor da vida de vocês... Familia.... tios, primos, tias, primas e muitas... mais muitas crianças... rsrsrsr